Alberto Longo, um dos fundadores da Fórmula E e responsável pelo campeonato, compartilhou os planos da série para criar uma categoria de suporte que funcione como um verdadeiro trampolim para novos talentos. Desde o começo da Fórmula E, o Jaguar I-Pace eTrophy foi a única série de apoio, mas foi descontinuada ao final da sexta temporada e não pôde ser realizada em todos os circuitos devido ao tamanho dos carros. Para que a Fórmula E alcance um nível mais alto, é essencial ter corridas de suporte, algo que as principais categorias de automobilismo já fazem há décadas.
Na Fórmula 1, por exemplo, temos a Fórmula 2 e a Fórmula 3 como categorias de apoio em muitos eventos. Outras competições, como a Porsche Carrera Cup, também costumam participar. Já na MotoGP, existem as categorias Moto2 e Moto3, além de outras corridas de suporte, o que dá aos fãs um motivo a mais para chegar cedo e ficar até o final. A Fórmula E, por outro lado, ainda não conta com essa estrutura, e isso levanta preocupações, especialmente agora que a série está se mudando para circuitos mais permanentes. Os fãs que visitam locais icônicos como Brands Hatch e Zandvoort esperam ver uma variedade de ações na pista.
Longo reconhece essa necessidade e está em busca ativa de uma série de suporte que se alinhe com a mensagem de sustentabilidade da Fórmula E. Uma categoria de combustão interna competindo antes de um evento da Fórmula E não seria a melhor forma de comunicar essa proposta. A meta é criar um sistema de apoio totalmente elétrico, que seja acessível para jovens talentos e que mantenha os custos baixos.
Em uma conversa com a RacingNews365, Longo afirmou que a criação de uma categoria de suporte é uma prioridade: “Definitivamente. Estamos buscando isso desde o primeiro dia. Queremos cuidar bem do nosso campeonato.” Ele destaca que a intenção é encontrar parceiros para ajudar nessa iniciativa, embora existam desafios, como a dificuldade de encontrar espaço nos paddocks e o alto custo das atuais categorias de apoio, como a Fórmula 2 e a Fórmula 3.
Longo tem uma visão clara para a futura série de suporte. Ele planeja realizar cerca de 50 reuniões com parceiros potenciais ao longo do próximo ano e espera que a nova categoria comece na 14ª temporada da Fórmula E, que deve ter início no final de 2027, durante a segunda campanha da era Gen4. Esse prazo já foi adiado várias vezes; inicialmente, a Fórmula E queria introduzir corridas de apoio para a campanha atual e depois para o início da Gen4. O NXT Gen Cup estava programado para se tornar uma categoria de apoio em 2024, mas o plano não se concretizou.
Em um cenário ideal, Longo imagina um carro totalmente novo, desenvolvido do zero, com custo máximo de €300.000. O objetivo é criar uma categoria que seja acessível para as equipes, que permita que os pilotos sejam pagos e que, por ser de fabricação única, destaque os melhores talentos. Longo acredita que utilizar carros da Gen2 ou Gen3 não é viável devido aos altos custos de manutenção. “Esses carros são muito caros para manter, e colocar esses veículos nas mãos de quem tem orçamento limitado é um grande desafio”, explicou.
Ele acredita que a solução está no desenvolvimento de um novo carro que custe entre €200.000 e €300.000. “Se dermos as mesmas ferramentas para todos, conseguiremos identificar os verdadeiros talentos nas pistas.” A busca por essa categoria de suporte é constante, e Longo está convencido de que isso será fundamental para o crescimento da Fórmula E, tanto em termos de visibilidade quanto na descoberta de novos talentos.