David Coulthard, ex-piloto de Fórmula 1, colocou a FIA na berlinda ao criticar a situação das novas regulamentações para 2026. O campeonato decidiu rever suas regras logo após apenas quatro corridas da nova temporada, ao perceber que havia problemas sérios que deixavam os carros com falta de energia em algumas pistas. Essa questão ficou evidente já na primeira corrida da temporada, em Melbourne, onde os carros diminuíram a velocidade ao se aproximarem de curvas rápidas, pois não conseguiam recuperar energia suficiente para manter as baterias carregadas.
Alguns especialistas em F1 já tinham alertado para esse problema anos antes da implementação das novas regras. Coulthard, em uma conversa franca, afirmou que a FIA deveria assumir a responsabilidade por não ter dado ouvidos a esses alertas. “Os novos regulamentos chegaram com pilotos e engenheiros dizendo: ‘isso não vai dar certo’ e meio que ninguém prestando atenção”, contou ele em uma entrevista. “Chegamos a Melbourne e percebemos que eles estavam desacelerando ao se aproximar de certas curvas.”
O ex-piloto acredita que a FIA deveria ter previsto essas falhas nas novas regras. “Acho que todos nós já víamos isso chegando e ninguém realmente estava ouvindo. O fato de terem que reagir à realidade em um esporte que simula o futuro de forma tão intensa é um pouco decepcionante e isso recai sobre a FIA”, disse. Ele destacou que, apesar de a FIA ser um grupo pequeno e as equipes da Fórmula 1 contarem com centenas de pessoas, havia evidências claras de que um equilíbrio de 50-50 entre energia elétrica e bateria seria desafiador.
Por outro lado, Coulthard elogiou a resposta da FIA ao problema, já que foram feitas mudanças após o Grande Prêmio de Miami. Ele também mencionou que novas alterações nas regulamentações estão a caminho ao longo das próximas duas temporadas, visando melhorar o desempenho dos carros. “O que estamos fazendo daqui para frente? Vamos ter mais motores de combustão interna no próximo ano e é sugerido que teremos ainda mais no ano seguinte. Então, ver o óbvio e só depois reagir é um pouco frustrante”, comentou, comparando as novas regras a um “show do intervalo na Copa do Mundo — foi meio decepcionante”.