Neil Hodgson, ex-piloto da MotoGP e hoje comentarista, compartilhou suas ideias sobre como a Liberty Media pode impulsionar o crescimento do campeonato. Segundo ele, é fundamental que a empresa mostre ao mundo o “perigo” que envolve as corridas de moto.
Em julho do ano passado, a Liberty Media adquiriu 84% da MotoGP por €4,2 bilhões, o que significa que agora eles têm participação majoritária tanto na Fórmula 1 quanto na MotoGP. A expectativa é que usem as estratégias que deram certo na F1 para alavancar a MotoGP. No entanto, Hodgson acredita que não basta apenas replicar o que foi feito na Fórmula 1, já que as duas modalidades têm características bem distintas.
Os pilotos da MotoGP são reconhecidos por sua coragem e resistência, e o ambiente das corridas é recheado de personalidades marcantes. Hodgson ressalta que, assim como a Liberty Media conseguiu destacar os personagens da F1, o mesmo deve ser feito na MotoGP. Ele sugere que o foco no lado perigoso do esporte também é crucial para atrair mais fãs, permitindo que as pessoas sintam a adrenalina e a emoção que essa categoria proporciona.
Quando perguntado sobre os maiores desafios que a Liberty Media enfrenta para expandir a MotoGP, Hodgson foi direto: “Eles têm a expertise para isso, mas não é tão simples quanto fazer um programa como ‘Drive to Survive’. Isso é o que todo mundo está comentando, mas é preciso mais do que isso.”
Ele destacou que é essencial mostrar as personalidades dos pilotos, que são ainda mais diversas do que as da F1. Além disso, ele acredita que é necessário explorar o lado mais intenso e violento do motociclismo.
Uma parte significativa do sucesso da F1 se deve à série da Netflix, que atraiu um público imenso, especialmente nos Estados Unidos. Hodgson vê um grande potencial para um documentário sobre a MotoGP que capture a velocidade, os desafios e os riscos que os pilotos enfrentam. Ele lembrou que lesões graves são comuns no motociclismo, algo que pode cativar o público, assim como acontece em esportes como boxe e MMA.
Um exemplo recente ocorreu durante a entrevista, quando Max Quiles, líder do campeonato da Moto3, sofreu um acidente sério, quebrando a clavícula. Hodgson acredita que seguir a recuperação de Quiles, desde a lesão até o retorno às corridas, poderia ser uma forma poderosa de mostrar a força sobre-humana que os motociclistas possuem.
“Se você consegue fazer um documentário que mostre a velocidade e os perigos, como acontece nas lutas de MMA, isso pode atrair pessoas que ainda não estão familiarizadas com o esporte”, comentou ele. A ideia é que, ao mostrar a realidade crua dos pilotos, o público se conecte mais com suas histórias e desafios.