Red Bull perde espaço na F1 em 2026: entenda os motivos

A Red Bull chegou ao intervalo da temporada de Fórmula 1 de 2026 com um cenário que ninguém imaginaria durante seus anos de domínio: após 11 corridas, a equipe não conquistou nenhuma vitória ou pole-position. Para se ter uma ideia, a equipe ocupa a quarta posição no Mundial de Construtores, com 177 pontos, bem atrás da Mercedes (379), Ferrari (307) e McLaren (220). Max Verstappen conseguiu levar a equipe ao pódio em quatro ocasiões, mas Isack Hadjar ainda luta para conquistar seu primeiro pódio.

Falar que a Red Bull apenas produziu um carro ruim seria simplista. A temporada de 2026 trouxe mudanças regulatórias que afetaram as bases nas quais a equipe havia se sustentado por anos. O carro RB22 foi projetado com conceitos aerodinâmicos novos e, pela primeira vez, a Red Bull passou a fabricar sua própria unidade de potência em parceria com a Ford. Esse desafio duplo de desenvolver um novo carro e um novo motor ao mesmo tempo não foi simples e os resultados estão evidentes.

Vale lembrar que a queda da Red Bull não começou exatamente em 2026. No final de 2025, a equipe já não era mais a melhor da Fórmula 1, terminando em terceiro entre os construtores. Apesar disso, Verstappen teve um bom desempenho, vencendo seis das últimas nove corridas e terminando o Mundial de Pilotos a apenas dois pontos do campeão. Portanto, as expectativas para 2026 eram de que a Red Bull pudesse levar essa capacidade técnica para a nova geração de carros.

Os testes iniciais mostraram um panorama misto. A nova Red Bull Ford teve um desempenho surpreendente, mas o diretor técnico apontou que a equipe ainda era a quarta força do grid, atrás de Mercedes, Ferrari e McLaren. O equilíbrio do carro foi identificado como uma das áreas que precisava de evolução. Na prática, a Red Bull não teve um começo fácil: Verstappen enfrentou problemas com o motor e o equilíbrio do carro, e Hadjar também teve dificuldades.

Um detalhe que costuma passar despercebido é que não havia um único ponto fraco no carro, mas várias pequenas deficiências atuando ao mesmo tempo. O motor, por exemplo, foi uma das explicações mais fáceis, mas não a única. Os problemas de desempenho se espalhavam por diversas áreas, como aerodinâmica e chassi. Verstappen chegou a afirmar que não havia uma única parte em que o RB22 fosse fraco, mas sim uma combinação de problemas.

Os circuitos também mostraram que a Red Bull tinha limitações variadas. Em Barcelona, Verstappen e Hadjar terminaram em quarto e sexto, respectivamente, enquanto em Mônaco Hadjar conseguiu seu melhor resultado do ano, um quarto lugar. As características de cada pista revelaram as fraquezas do carro, tornando claro que seria um erro atribuir os problemas a um único fator.

Verstappen continua a ser o piloto a superar expectativas, somando 109 pontos e mantendo uma diferença considerável em relação a Hadjar, que tem 68. Mas Hadjar também se mostrou capaz de extrair bom desempenho do RB22, o que mostra que o carro não é impossível de ser conduzido. O que ocorre é que Verstappen consegue compensar algumas das deficiências do veículo melhor do que seu companheiro de equipe.

A Red Bull passou a realizar atualizações significativas em seu carro, e a corrida na Áustria foi um marco. Com um novo pacote de atualizações, a equipe conseguiu reduzir a diferença para os líderes. Verstappen terminou em segundo, apenas 0s3 atrás de George Russell, e essa foi a primeira vez em 2026 que a Red Bull pareceu realmente capaz de lutar pela vitória. Os resultados das últimas provas mostram que a equipe está começando a encontrar um desempenho mais consistente.

Apesar das limitações ainda persistirem, como a velocidade em reta, a Red Bull já não parece estar presa atrás das outras equipes. A diferença entre o carro que terminou a corrida na Áustria e aquele que terminou em oitavo no Japão é palpável. O que a equipe precisa fazer agora é continuar a desenvolver o RB22, tornando-o menos dependente das características das pistas e do talento excepcional de Verstappen.

A nova era não destruiu a Red Bull, mas trouxe à tona desafios que a equipe levará tempo para superar. As primeiras etapas de 2026 foram dedicadas a entender como substituir as certezas que a equipe construiu ao longo dos anos. As últimas corridas mostram que a Red Bull finalmente começou a encontrar algumas respostas para suas questões.

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Diego Martins