Toto Wolff, o chefe da equipe Mercedes na Fórmula 1, manifestou seu apoio à possível volta dos motores V8 no próximo ciclo de regras da categoria. Ele declarou que, como um purista do automobilismo, a ideia o agrada bastante. Essa mudança pode acontecer entre 2030 e 2031, quando o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, anunciou que planeja encerrar a era dos motores turbo-híbridos, que começou em 2014. Nesse período, a Mercedes conquistou 126 corridas e vários campeonatos, e tudo indica que vai aumentar ainda mais esse número até 2026.
A proposta de retornar aos motores V8 inclui um foco maior no motor de combustão interna (ICE) para gerar potência, mas ainda mantendo algum tipo de energia elétrica, semelhante aos antigos sistemas KERS de 2009 e de 2011 a 2013, porém de forma ampliada. Wolff acredita que essa direção é a correta para as corridas de grande prêmio.
Ele comentou sobre suas conversas com Ben Sulayem e Stefano Domenicali, presidente e CEO da F1, além de outros fabricantes de motores. Wolff mencionou a complexidade dos motores atuais e como eles mudaram a dinâmica das corridas. Ele notou que alguns fãs apreciam a quantidade de ultrapassagens, enquanto outros têm suas reservas. Ele também destacou que os pilotos mais adaptáveis têm se destacado nas corridas.
“Não suporto quando os carros ficam acelerando no grid por 10 segundos antes da largada; parece um alarme de incêndio”, brincou Wolff. Ele citou exemplos de pilotos como Lewis Hamilton, que teve que se adaptar ao novo formato, enquanto outros, como Kimi Antonelli, também estão se saindo bem. Para ele, a volta ao motor de combustão interna, que representa mais de 50% da performance, é um caminho natural.
Ben Sulayem quer um motor V8, que além de proporcionar um som agradável, terá uma bateria mais limitada. Wolff acredita que a relação de potência deve ser em torno de 80% do motor de combustão e 20% da bateria, resultando em uma potência total de cerca de 1.000 cavalos. Ele não tem certeza se o motor será aspirado naturalmente, mas acredita que essa é a tendência da Fórmula 1.
Para os anos de 2027 e 2028, a F1 deve se afastar da divisão 50:50 que era central nas regras de 2026, movendo-se para uma divisão de 60:40 em favor do motor de combustão. Isso será possível com um aumento no fluxo de combustível para o motor. Contudo, Wolff destacou que mudanças significativas na arquitetura do motor seriam necessárias para uma transição imediata para essa nova proposta.
“Vamos fazer mais um ano como está e, em seguida, avançar para a nova configuração, mas precisamos redesenhar o motor”, explicou. Ele mencionou que, ao aumentar o fluxo de combustível, é possível obter mais potência. A equipe tinha a expectativa de aumentar a potência em 50 quilowatts para o próximo ano, mas a Ferrari bloqueou essa mudança, resultando em um aumento de apenas 20 quilowatts, com uma nova elevação prevista para 2028.