Preparar-se para a nova era da Fórmula 1, que começou nesta temporada, não foi tarefa fácil para a Brembo. Afinal, o sistema de freios se tornou mais complexo do que nunca nesse auge do automobilismo. A empresa precisa estar em constante ação, conectada a todas as equipes, enquanto se concentra no que é necessário para 2027 e, ao mesmo tempo, atende às exigências deste ano.
Durante uma entrevista exclusiva, Andrea Dellavedova, engenheiro de corrida da marca italiana, comentou sobre as mudanças no equilíbrio entre a potência do motor a combustão e o motor elétrico. Ele destacou que essa alteração torna o desafio ainda maior para a Brembo. “Já se passaram seis meses, então agora entendemos melhor a situação e estamos focados em algumas direções. Com a mudança na proporção de energia para o próximo ano, o que aprendemos neste ano pode não ser tão útil,” disse ele.
A FIA confirmou, após muitas discussões, que irá modificar essa proporção em duas etapas: para 2027, será de 58:42 e, em 2028, de 60:40. “Num ambiente tão dinâmico, quanto mais tempo tivermos para desenvolver o novo sistema, melhor. Se a comunicação acontecer algumas semanas antes, facilita muito, pois precisamos projetar e testar o protótipo antes de iniciar a produção,” explicou Dellavedova. Ele ressaltou que o prazo é curto, já que as equipes precisam dos componentes no início do próximo ano. “É um processo que leva tempo, tanto no design quanto na produção. Desde a elaboração até a fase de produção, leva meses; não é algo que se faz em semanas, pois a fabricação do disco e do material de carbono é um processo longo.”
A Brembo, apesar dos desafios, tem uma base sólida para trabalhar. A marca conta com engenheiros excepcionais e infraestrutura de ponta. O centro operacional e administrativo fica em Kilometro Rosso, o parque de ciência e tecnologia de Bergamo, enquanto as instalações de fabricação e comerciais estão espalhadas por 18 países. Para a Fórmula 1, a planta de Curno, localizada perto da sede, é fundamental, pois é lá que a tecnologia de corrida é desenvolvida. “Temos vários bancos de teste de dinamômetro que usamos para testar novos desenvolvimentos em relação a materiais, geometrias e dimensões do sistema de freios. Eles funcionam 24 horas por dia, seis dias por semana,” contou Dellavedova.
Manter a pesquisa, o design e o desenvolvimento sob o mesmo teto proporciona uma grande vantagem competitiva, mesmo no mundo dos freios. “A performance está presente, tanto nos escritórios quanto nas áreas de produção e teste,” disse ele. A proximidade facilita a comunicação. O designer pode trabalhar no laptop, projetar o novo componente e rapidamente se dirigir aos bancos de teste para realizar as avaliações.
Embora se preparar para 2027 seja um desafio e tanto, Dellavedova observa o futuro com confiança, com base na situação atual, na capacidade disponível e na experiência acumulada. “Em termos de prazos, estamos no caminho certo. Em termos de performance, sim, estamos fazendo o melhor que acreditamos ser necessário para o próximo ano.”