A atuação de Liam Lawson deve garantir seu futuro na F1

Foi em um momento da primeira volta no Grande Prêmio da Holanda, em Zandvoort, que Liam Lawson decidiu ir pra cima de Max Verstappen na curva externa. E dava pra sentir a mensagem implícita: “Eu não estou aqui apenas como um reserva.” O piloto holandês, que estava em sua corrida de despedida em casa, não ia facilitar e fechou a porta, mas Lawson não hesitou em aproveitar a oportunidade. Essa pequena ação foi um reflexo do que foi o fim de semana dele, mostrando que ele não estava intimidado pela pressão, pelo carro, nem mesmo pelo histórico que envolve seu retorno à Red Bull.

O desempenho de Lawson no GP da Holanda foi impressionante e pode ter garantido seu futuro na Fórmula 1. Agora, a questão é: como esse futuro deve ser? É fácil pensar que ele se colocou de volta na disputa por uma vaga na Red Bull. E há lógica nisso. Ele foi o primeiro piloto na história da equipe a retornar ao time depois de ter sido removido, qualificando-se em oitavo, a apenas uma décima de Verstappen, e terminando em sétimo lugar, marcando seis pontos. Mas isso é só parte da história; na verdade, ele acendeu um alerta para todos os outros na Fórmula 1.

Um desempenho que já vinha sendo construído

É importante destacar que Zandvoort não foi um ponto isolado de brilho de um piloto que vinha lutando. Antes de ser chamado para substituir Isack Hadjar, Lawson já estava tendo uma temporada forte, figurando como o principal piloto fora das quatro equipes líderes, ocupando a nona posição no campeonato de pilotos. Com 43 pontos marcados nas 11 primeiras corridas, ele teve apenas três corridas sem pontuar. Mesmo com dois sextos lugares, seu desempenho foi consistente e sólido. Quando a Red Bull o chamou, não foi apenas por ser a opção mais experiente, mas porque ele realmente mereceu essa chance.

Um retorno com significado

O que aconteceu em Zandvoort é um momento simbólico na carreira de Lawson. Ele fez sua estreia na F1 nesse mesmo circuito em 2023, quando Daniel Ricciardo machucou a mão e ele foi chamado às pressas para a AlphaTauri. Três anos depois, ele voltou ao mesmo lugar, agora como piloto da Red Bull, novamente por conta de uma lesão. Essa volta ao circuito trouxe uma sensação de fechamento para ele, mas Lawson não parece ver dessa forma. Para ele, o que aconteceu no passado não define seu presente, e ele está focado em aproveitar as oportunidades que surgem.

Mudanças nas ambições de Lawson

O mais interessante é que as ambições de Lawson mudaram. Durante sua trajetória no programa da Red Bull, o sonho era claro: chegar à Fórmula 1 com a Red Bull, vencer com a equipe e lutar por campeonatos. Agora, ele fala sobre querer vencer na Fórmula 1, independentemente de com quem. “Honestamente, não é específico”, disse ele, enfatizando que seu foco está em estar na frente e vencer onde quer que a oportunidade apareça.

Esse novo foco muda o cenário para seu futuro. Se o objetivo é vencer, a lealdade à Red Bull não deve ser a prioridade. Embora a Red Bull veja Lawson como uma opção viável, ele agora tem algo mais valioso: opções.

A situação complicada da Racing Bulls

A boa temporada de Lawson trouxe um dilema interessante para a Racing Bulls. Com Verstappen e Hadjar confirmados para 2027, a equipe júnior tem três pilotos competindo por duas vagas: Lawson, Arvid Lindblad e Nikola Tsolov. Lindblad se destacou na sua temporada de estreia, enquanto Tsolov lidera o campeonato da F2 e é muito valorizado pela Red Bull.

Embora muitos especulem sobre o futuro de Lawson na equipe, a Racing Bulls ainda está avaliando suas opções. A situação é clara: dois pilotos estão se destacando e um jovem talento está na fila. Tsolov teve sua primeira experiência real com o carro da F1 recentemente, mas isso não significa que ele já tenha uma vaga garantida.

Existem outras possibilidades na F1

Exemplos como o de Pierre Gasly mostram que é possível ter sucesso fora da Red Bull. Gasly deixou a equipe, se reinventou na AlphaTauri e agora lidera um projeto na Alpine, com boas perspectivas para competir na frente novamente. Lawson pode seguir um caminho semelhante. A corrida em Zandvoort reforçou que ele se encaixa bem no ambiente da Red Bull, mas ele também provou que pode se destacar em qualquer equipe.

Lawson mostrou que pode se adaptar e entregar resultados. Agora, se a Racing Bulls quiser mantê-lo, ótimo. Se a Red Bull decidir trazê-lo de volta, ele já demonstrou que está pronto para o desafio. Mas se outra equipe aparecer com uma oportunidade real de crescimento, ele merece essa chance. Zandvoort foi o ponto de partida da jornada de Lawson na Fórmula 1 e, após seu retorno ao cockpit da Red Bull, ele deixou para trás quaisquer dúvidas sobre seu lugar na categoria. Agora, é hora de ver qual equipe abrirá as portas para ele.

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Diego Martins