Cinco décadas desde a última mulher na Fórmula 1

É um momento histórico para a Fórmula 1, marcando 50 anos desde que uma mulher esteve na grade de largada de uma corrida. Esse marco remete ao Grande Prêmio da Áustria de 1976, onde Lella Lombardi foi a última mulher a competir. Na verdade, Lombardi é responsável por 12 das 15 participações femininas na história da F1.

Naquele dia, ela se qualificou em 24º lugar com seu Brabham BT44B, em uma corrida que contava com 25 carros. Vale lembrar que, na corrida anterior, realizada no desafiador Nürburgring, ela não conseguiu se classificar. Na corrida austríaca, Lella conseguiu cruzar a linha de chegada, ainda que tenha terminado quatro voltas atrás do vencedor, John Watson. O desempenho dela foi notável, superando seu companheiro de equipe, Loris Kessel, que ficou preso nos boxes devido a um problema de combustível.

Lamentavelmente, essa corrida marcou o fim da carreira de Lella na F1, que havia começado cheia de promessas. Um ano antes, ela havia feito história ao se tornar a primeira mulher a marcar pontos em uma corrida, conquistando meio ponto por terminar em sexto lugar no Grande Prêmio da Espanha, que foi encurtado. Seu desempenho no Grande Prêmio da Alemanha também foi admirável, mas menos lembrado. No fim de 1976, Lella enfrentou dificuldades, como a troca de equipe e problemas de patrocínio, que a mantiveram fora das corridas.

Desde então, poucas mulheres tiveram a chance de competir na F1. Maria Teresa de Filippis e Desire Wilson foram outras representantes, mas enfrentaram desafios imensos em um esporte predominantemente masculino. Wilson, por exemplo, teve a oportunidade de vencer uma corrida não oficial, mas lutou com carros que não eram competitivos. Já Divina Galica não conseguiu sequer se classificar nos anos 70.

A última mulher a tentar se classificar para uma corrida foi Giovanna Amati, em 1992, também com um Brabham. Infelizmente, ela não conseguiu se qualificar em suas quatro tentativas, o que não surpreendeu ninguém, dado o estado financeiro da equipe. Nos últimos anos, Susie Wolff fez algumas aparições em treinos pela equipe Williams, mas não chegou a competir em uma corrida oficial.

Atualmente, há esperança de que mais mulheres possam aparecer na grade da F1. Susie Wolff agora lidera a F1 Academy, uma categoria de corridas exclusivamente feminina que serve como um trampolim para as competidoras. Com a F1 investindo mais na promoção de pilotas, as expectativas são de que novas talentos possam chegar às categorias de base, como Fórmula 3 e Fórmula 2, até alcançarem a Fórmula 1.

Embora o CEO da F1, Stefano Domenicali, tenha mencionado que não vê uma mulher na F1 nos próximos cinco anos, o cenário começa a mudar. O importante é que, com dedicação e esforço, as oportunidades para as mulheres na F1 podem crescer e, quem sabe, em breve teremos mais pilotas competindo nas pistas.

Sobre o Autor

Diego Martins