David Coulthard não escondeu sua decepção com o início do novo regulamento técnico da Fórmula 1, que entrou em vigor em 2026. O ex-piloto acredita que muitos dos problemas que apareceram nas primeiras corridas já tinham sido previstos por pilotos e engenheiros antes mesmo das novas regras serem implementadas.
O GP da Austrália foi o primeiro a colocar essas mudanças em prática, e lá, a gestão da bateria e a distribuição de energia se tornaram protagonistas. A nova configuração, que busca equilibrar a potência elétrica e o motor a combustão em uma divisão quase de 50%, causou algumas surpresas. Alguns carros, ao esgotarem a energia disponível, perderam velocidade nas retas, o que deixou muitos espectadores perplexos.
Coulthard comparou a situação a um “show do intervalo da Copa do Mundo”, algo que deveria ser emocionante, mas acabou decepcionando. Ele comentou sobre como, mesmo com alertas claros, ninguém pareceu dar a devida atenção antes do campeonato começar. “Pilotos e engenheiros estavam dizendo: ‘Isso não vai ser bom’. E, no entanto, parecia que ninguém estava ouvindo. Quando chegamos a Melbourne, pudemos ver os carros desacelerando ao se aproximar de certas curvas”, contou.
Diante das críticas, a FIA tomou medidas rápidas antes do GP de Miami para corrigir os problemas relacionados à entrega de energia e à perda excessiva de velocidade. Também estão previstas mudanças adicionais para 2028. Coulthard reconheceu que a resposta da FIA ajudou a melhorar as corridas e trouxe mais competitividade. No entanto, ele se questiona sobre como as ferramentas de simulação da Fórmula 1 não conseguiram prever essas falhas antes de se tornarem tão evidentes durante as corridas.
“Posso dizer que a recuperação, a partir de Miami, foi boa. O fato de termos cinco vencedores diferentes nas últimas cinco corridas mostra que a temporada está cheia de surpresas”, avaliou. Mas ele não deixou de ressaltar que muitos problemas poderiam ter sido evitados se houvesse uma escuta mais atenta durante o desenvolvimento das novas regras.