Na sexta-feira do Grande Prêmio da Itália, durante a famosa coletiva de imprensa da FIA com os chefes de equipe, Flavio Briatore, conselheiro da Alpine, fez algumas acusações sérias sobre um dos juízes do painel do Tribunal Internacional de Apelação. Esse juiz deveria decidir sobre o protesto da McLaren e da Red Bull relacionado às penalizações de Pierre Gasly em Mônaco, que foram anuladas.
A Alpine conseguiu, com sucesso, pedir uma revisão, o que resultou na exclusão das duas penalizações de cinco segundos que Gasly havia recebido. Isso fez com que ele voltasse ao terceiro lugar, enquanto Isack Hadjar, da Red Bull, foi rebaixado para o quarto e Oscar Piastri, da McLaren, para o quinto. Depois disso, McLaren e Red Bull rapidamente apresentaram recursos contra as decisões do Grande Prêmio de Mônaco, e o caso foi levado ao Tribunal Internacional de Apelação em Paris, no dia 25 de agosto, onde um painel de quatro pessoas analisou a situação.
Além das partes diretamente envolvidas, todas as equipes estavam representadas por observadores, incluindo diretores esportivos e advogados que viajaram para Paris. O veredicto que foi entregue deixou claro que “nenhuma das partes levantou objeções, tanto em relação à composição do Tribunal quanto à condução dos procedimentos e da audiência”. Tudo parecia estar caminhando bem até que, durante uma coletiva de imprensa um tanto explosiva, Briatore fez alegações de parcialidade em relação a um dos juízes.
O foco de Briatore foi Filippo Marchino, um juiz italo-americano. Marchino é um advogado experiente, baseado em Los Angeles, e tem um histórico interessante, com formação em Engenharia Aeroespacial. Além de ser apaixonado por automobilismo e participar de eventos de WRC, ele também é membro do conselho da One Drop Foundation, uma organização que trabalha para garantir acesso sustentável à água potável em comunidades vulneráveis.
Durante a coletiva, Briatore, ao comentar sobre a decisão que tirou Gasly do pódio, disse que a equipe respeitava a decisão, mas questionou a credibilidade de Marchino, acusando-o de ter uma ligação com a McLaren. Ele destacou uma foto de Marchino em um evento da McLaren em Beverly Hills, insinuando que isso tornava sua posição no painel injusta. “Isso é muito injusto. Aceitamos a decisão, mas é estranho que um dos juízes aja como um promotor”, declarou Briatore.
A situação ficou ainda mais tensa quando Briatore afirmou que tinha provas fotográficas de Marchino em um evento da McLaren Special Operations, que é a divisão de carros de rua da McLaren. Vale lembrar que essa divisão não tem ligação direta com a equipe de Fórmula 1 da McLaren, sendo entidades diferentes sob o mesmo grupo.
Marchino não estava presente na coletiva, então não teve a oportunidade de responder às acusações de Briatore. Porém, Andrea Stella, da McLaren, não deixou barato e afirmou que as alegações eram praticamente uma difamação. “Esse tipo de comentário é bastante insultante para a McLaren e para a reputação de uma equipe que merece respeito”, disse ele. Stella enfatizou que o processo no Tribunal Internacional de Apelação foi conduzido com altos padrões e que as acusações não deveriam ser questionadas dessa maneira.
Briatore ainda deixou no ar que a Alpine estava pensando em quais próximos passos tomar. Após a coletiva, a Alpine não se manifestou mais, enquanto a FIA se mostrou confiante na solidez do Tribunal Internacional de Apelação.