Flavio Briatore, um nome conhecido no universo da Fórmula 1, tem uma trajetória que testemunhou a transformação impressionante do campeonato ao longo dos anos. Agora, com 76 anos, esse empresário italiano já esteve em várias fases da F1, desde os tempos em que liderou a Benetton a grandes vitórias com Michael Schumacher na década de 1990 até seu papel atual como conselheiro executivo da Alpine. Ao longo dessa jornada, Briatore viu a F1 crescer de um campeonato que ainda buscava seu espaço comercial para se tornar uma das propriedades esportivas mais valiosas do mundo.
Nos últimos tempos, as mudanças têm sido notáveis. Em uma conversa durante o final de semana do Grande Prêmio da Hungria, Briatore destacou como a percepção da Fórmula 1 mudou. Ele comentou que agora é “o lugar para estar”, mencionando que os patrocinadores estão cada vez mais interessados em apoiar a F1 e suas equipes. Ele também elogiou a qualidade das pistas, em especial a do Hungaroring, que passou por uma reforma significativa. “As pessoas fizeram um trabalho incrível”, disse ele, enfatizando como o ambiente mudou.
Um detalhe que costuma passar despercebido é o aumento do público. Briatore notou que as arquibancadas estão sempre cheias, mesmo em dias que antes eram considerados de baixa movimentação. Para ilustrar, ele mencionou que, 15 anos atrás, a sexta-feira do evento em Budapeste não atraía quase ninguém. Hoje, a situação é bem diferente. Ele também citou o caso de Silverstone, onde 20 mil pessoas compareceram na quinta-feira, um sinal claro do crescente interesse.
Desde que a Liberty Media assumiu a administração da Fórmula 1, o crescimento comercial tem sido impressionante. O investimento em patrocínios disparou, e há uma competição saudável entre organizadores para sediar corridas. Além disso, a série “Drive to Survive”, da Netflix, trouxe um novo público, especialmente nos Estados Unidos, um mercado que antes era quase ignorado pela F1. Briatore, que teve seus grandes sucessos em uma época em que a F1 ainda lutava para se expandir, percebe a diferença. Ele destacou que a média de idade dos fãs caiu drasticamente, o que é um ótimo sinal para o futuro do esporte.
Outra mudança marcante foi em relação ao valor das equipes. Quando a Benetton foi vendida para a Renault em 2000, o preço foi em torno de 120 milhões de euros, um valor que na época era considerado alto. Hoje, as avaliações das equipes podem chegar a bilhões. Briatore comentou que o valor da Benetton, que era impressionante há 25 anos, agora parece irrisório em comparação com o que algumas equipes valem atualmente. Essa valorização reflete não apenas o crescimento da F1, mas também o reconhecimento de sua importância no cenário esportivo global.
Para Briatore, o maior aprendizado dessa transformação é que a Fórmula 1 se tornou um produto de entretenimento global de primeira linha, atraindo patrocinadores de peso e uma base de fãs cada vez mais diversificada. Ele acredita que a mudança mais significativa não está apenas nas regras técnicas, mas na forma como a F1 se apresenta ao mundo. E, como ele mesmo disse, agora a Fórmula 1 é, sem dúvida, “o lugar para estar”.