Franco Colapinto pediu aos seus fãs que canalizem sua paixão de maneira positiva, especialmente após seu colega de equipe, Pierre Gasly, ter enfrentado uma onda de ataques online. A situação se intensificou depois que a Alpine não trocou os pilotos durante o Grande Prêmio da Espanha, o que gerou uma grande insatisfação. Colapinto destacou que esse problema vai além de sua base de fãs, refletindo uma questão maior que a Fórmula 1 enfrenta nas redes sociais.
Gasly, nos dias seguintes à corrida, revelou que a pressão e os comentários negativos não afetaram apenas a ele, mas também sua família e namorada. Ele descreveu as ameaças que recebeu como “perturbadoras” e “totalmente inadequadas”. Diante disso, Colapinto, cuja base de fãs já esteve envolvida em incidentes de assédio online antes, foi rápido em se manifestar publicamente. “Eu acho que ele recebeu muitas mensagens”, comentou o jovem de 23 anos. “Eu não vi, porque não sou muito ativo nas redes sociais, mas nunca é bom passar por isso, ainda mais sendo algo que acontece na equipe em que estou correndo.”
### O Incidente que Gerou a Reação
A confusão começou com a decisão da Alpine de não fazer a troca de Gasly durante os momentos finais da corrida, mesmo com ele rodando com pneus muito desgastados e ainda precisando cumprir uma parada obrigatória. Colapinto, que estava com pneus mais novos após uma parada anterior, conseguiu alcançar seu companheiro de equipe, mas ficou preso atrás do carro mais lento, enquanto Oscar Piastri, da McLaren, se aproximava rapidamente. Ele ficou furioso na comunicação interna da equipe, pedindo a troca que nunca aconteceu. Gasly acabou fazendo sua parada, caindo para a 12ª posição e ainda levou uma penalização de cinco segundos por excesso de velocidade nos boxes. Colapinto, por outro lado, conseguiu terminar em sétimo lugar, mas sua frustração com o que considerou uma falha coletiva da equipe era evidente.
“Quase fui ultrapassado pelo Oscar. Ele estava a apenas duas décimos atrás”, explicou Colapinto. “Nós conversamos na equipe e conseguimos gerenciar a situação juntos. Com Pierre, Flavio [Briatore], Steve [Nielsen], todos fizeram um ótimo trabalho ao entender o que aconteceu e como podemos melhorar para a próxima vez.” Ele acredita que o mais importante é aprender com os erros, para que situações assim não se repitam.
### Um Problema Recorrente
Infelizmente, essa não é a primeira vez que a base de fãs de Colapinto está no centro de uma tempestade de abusos online. No ano passado, em Imola, Yuki Tsunoda foi alvo de ataques racistas nas redes sociais após um incidente durante os treinos. Naquele momento, a FIA, a Alpine e Colapinto condenaram a atitude. Jack Doohan, que Colapinto substituiu após seis corridas na temporada passada, também enfrentou uma onda de ódio e precisou de seguranças no Grande Prêmio de Miami, uma corrida antes da troca de pilotos.
Mais recentemente, os comissários de Zandvoort foram alvo de críticas após penalizarem Colapinto por infrações relacionadas às bandeiras amarelas, levando a FIA a considerar ações legais. “Espero que consigam acabar com isso”, disse Colapinto. “O mesmo aconteceu com outros pilotos, como Yuki [Tsunoda] no ano passado; foi bastante grave em um determinado momento. Eu falei sobre isso.”
Ele ainda comentou sobre a situação com os comissários, que também sofreram abusos após a penalização que lhe foi aplicada. “Isso acontece muito com os fãs na Fórmula 1; em qualquer esporte hoje em dia, é algo muito comum. Infelizmente, isso não deveria ser comum. Devemos cuidar mais das palavras que são ditas nas redes sociais.”
Colapinto finalizou dizendo que a melhor forma de apoiar a equipe é empurrá-la para frente e se manter forte junto com todos. Ele espera que essa situação não se repita, mas reconhece que lidar com a paixão dos fãs no esporte é um desafio. “Não são apenas meus fãs. Tenho alguns muito apaixonados que querem que eu me saia bem. Espero que possam aproveitar os bons resultados.”