Jacques Villeneuve não escondeu a emoção ao assistir ao trailer do novo filme sobre a vida de seu pai, Gilles Villeneuve. Intitulado “Villeneuve: Rise of a Legend”, o longa terá sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no dia 19 de setembro. O filme retrata os primeiros passos de Gilles nas corridas, até sua contratação pela Ferrari, e isso toca profundamente Jacques.
Ele compartilhou que foi difícil conter as lágrimas ao ver o trailer. “Adoro que o filme foque nos anos iniciais, aqueles que ninguém além da nossa família conhece. A maioria das biografias se concentra no auge da carreira, acelerando ou ignorando como tudo começou. Elas mostram o que o público já sabe, enquanto este filme revela os alicerces”, comentou Jacques, que conquistou o campeonato mundial em 1997.
Jacques tinha apenas 11 anos quando seu pai morreu em um acidente durante a classificação para o Grande Prêmio da Bélgica, em 1982. Naquela época, Gilles havia se desentendido com seu companheiro de equipe na Ferrari, Didier Pironi, acreditando que a equipe havia dado ordens para que mantivessem suas posições, com ele na liderança. Hoje, Jacques é pai de sete filhos e já explicou a eles as circunstâncias da morte do avô.
“Nosso filho de quatro anos, Gilles, adora corridas. Ele tem a mesma idade que eu tinha quando comecei a acreditar que seria um piloto. É sempre difícil saber, mas parece que isso está dentro dele. Ele se identifica muito com o avô e entende que ele faleceu por correr com raiva”, disse Jacques. “Ele compreende a morte, e acredito que isso é importante para que não tenha um grande choque quando crescer.”
Jacques também falou sobre como ele lida com os riscos das corridas de forma diferente de seu pai. “Nunca corri com raiva, mas minha criação foi diferente da dele. Estar em um internato e praticar esqui me fez aprender rapidamente a lidar com meus erros”, explicou. Para ele, a compreensão dos riscos e das recompensas é fundamental. “Quando corri na F1, não havia muitos pilotos imprudentes, o que fez com que eu parecesse mais ousado do que realmente era. Essa questão de dirigir com raiva é algo que compreendi mais recentemente, especialmente conversando com pilotos como Alain Prost, que correram contra meu pai. Eles têm histórias incríveis que me ajudam a entender melhor quem meu pai foi.”
Jacques relembrou algumas das corridas mais memoráveis de Gilles. Ele estava presente quando o pai venceu o Grande Prêmio do Canadá em 1978, subindo ao pódio com os avós e vestindo um casaco de esqui, pois estava frio. Ele também se recorda do Grande Prêmio de Mônaco em 1981, onde assistia da arquibancada e torcia para que o pai ganhasse. “Na corrida de Dijon, aquela famosa batalha com René Arnoux, eu assistia pela TV fora da pista. Eu poderia passar o dia todo só observando os carros passarem”, lembrou.
Por outro lado, Jacques não estava em Zolder no fim de semana em que Gilles perdeu a vida. “Naquela época, nós não íamos mais às corridas. Havíamos nos mudado para Mônaco e estávamos com dificuldades na escola”, contou. Ele se recorda de voltar da escola e receber a notícia do acidente. “Foi um momento muito emocional.”