Lewis Hamilton acredita que a forma como a Fórmula 1 lida com as corridas em dias de chuva está um tanto exagerada. Ele apontou o dedo tanto para o controle de corrida da FIA quanto para a nova geração de pilotos. No último Grande Prêmio do Bahrein, realizado na Malásia, Hamilton conseguiu um terceiro lugar surpreendente, saindo da 18ª posição inicial após começar com pneus slick. Ele terminou atrás do vencedor da corrida, Max Verstappen, e do piloto da Mercedes, Kimi Antonelli.
A corrida teve um atraso de 40 minutos devido à forte chuva que caiu antes do início. Quando finalmente começou, foi atrás do safety car, com a expectativa de duas voltas de formação e um possível início em pé. No entanto, isso não aconteceu por causa de um “bug” no software que afetou vários sistemas, incluindo o do carro de Hamilton. Ele teve que parar na pista e reiniciar o SF-26 para conseguir voltar à corrida.
Hamilton, que começou a prova na primeira fila ao lado de Verstappen, estava animado com a possibilidade de batalhas intensas sob a chuva, mas viu essa oportunidade se esvair. “Eu estava ansioso por uma corrida molhada”, comentou, em uma conversa com a imprensa. “Quando começou a chover, pensei: ‘Isso vai ser divertido’. Mas, com todo o atraso, acabei não tendo a batalha que queria ter com o Max, que eu estava empolgado e também com o Kimi.”
O heptacampeão da F1, que já falou sobre sua paixão por correr em condições adversas, fez uma comparação direta com o início de sua carreira, quando os pneus de chuva da Bridgestone eram testados muito mais na pista do que os compostos atuais da Pirelli. “As corridas em clima molhado não são mais como antigamente”, afirmou Hamilton. “Tive grandes corridas na chuva, como a vitória no GP da Grã-Bretanha em 2008. Naquela época, tínhamos mais testes e pneus melhores para a chuva, porque eram desenvolvidos de forma mais eficaz.”
Ele também expressou sua insatisfação com algumas decisões tomadas em relação às corridas na chuva. “Acho que quem está no controle da FIA está cada vez mais cauteloso, assim como os pilotos mais novos. Nós, os pilotos mais antigos, queremos correr, enquanto os mais jovens tendem a ser mais cautelosos. Isso gera informações diferentes, e a FIA acaba sendo super cautelosa também.”
Hamilton acredita que correr em condições extremas é quando realmente se pode testar as habilidades. “É mais arriscado? Com certeza. Quando eu estava com pneus slick na Malásia, as condições estavam complicadas. Estava chovendo e eu estava com pneus de pista seca. Mas eu adoro esse desafio, e é isso que é a corrida: dirigir no limite. É nesses momentos que você pode realmente fazer a diferença, e foi isso que consegui fazer no final das contas.”