Oscar Piastri está preocupado com as consequências da decisão sobre o pódio de Pierre Gasly no Grande Prêmio de Mônaco. Ele acredita que isso pode criar um “precedente complicado” para a Fórmula 1. A questão é que as equipes podem começar a ignorar penalidades e discutir sobre elas por muito tempo após as corridas.
Para entender melhor, vamos voltar um pouco. Gasly, que cruzou a linha de chegada em terceiro lugar em Mônaco, acabou recebendo duas penalidades de cinco segundos por excesso de velocidade na entrada do pit lane. Isso fez com que ele caísse para a sétima posição na classificação final. A equipe Alpine decidiu não fazer Gasly cumprir as penalidades durante a corrida e, em vez disso, aceitou a adição de tempo pós-corrida, enquanto se preparava para contestar a decisão junto à FIA.
E essa estratégia funcionou. A Alpine apresentou novas evidências, incluindo dados da Fórmula One Management, que mostraram que a distância do pit lane usada para calcular a velocidade estava incorreta. Isso significa que o sistema de cronometragem estava superestimando as velocidades dos pilotos ao passar por ali. Os comissários aceitaram essas evidências, revogaram as penalidades e reinstauraram Gasly em terceiro lugar, atrás apenas de Kimi Antonelli e Lewis Hamilton.
Essa reviravolta fez com que tanto a McLaren quanto a Red Bull apresentassem apelações ao Tribunal Internacional de Apelação da FIA. Isack Hadjar, da Red Bull, havia sido promovido a terceiro lugar na classificação original após as penalidades, enquanto Piastri perdeu uma posição na nova classificação. As apelações foram feitas no dia 16 de junho e ainda não foram analisadas.
Piastri já tinha se mostrado “muito surpreso” com a decisão dos comissários e considerou a situação “confusa”. Durante o Grande Prêmio da Áustria, ao lado de Gasly, ele comentou suas preocupações. Ele reconheceu que, de certa forma, ambos os lados têm seus argumentos, mas ressaltou um risco significativo para o esporte. “Acho que o mais óbvio é garantir que o pit lane seja medido corretamente”, disse o australiano. “Isso é um bom ponto de partida.”
Ele também mencionou que a situação é complicada porque a Alpine questionou a penalidade. “Todo mundo questionou as penalidades. Nunca vi uma corrida em que tantas penalidades por excesso de velocidade no pit lane fossem aplicadas”, contou. Piastri, que também recebeu uma penalidade por velocidade no pit lane em Mônaco, cumpriu sua durante a corrida, o que influenciou a estratégia da McLaren e sua posição final. Essa diferença na abordagem da Alpine, que optou por não cumprir as penalidades e depois desafiá-las, é o que o deixa inquieto.
Gasly, por sua vez, defende que o Direito de Revisão apenas corrigiu um erro claro da FIA e restaurou um resultado justo, embora entenda por que outros pilotos possam estar insatisfeitos. Ele finalmente recebeu seu troféu de Mônaco, mas a situação ainda não está resolvida, com os apelos da McLaren e Red Bull pendentes.
Piastri destaca que o maior risco agora é que, sempre que uma equipe ou piloto sentir que uma penalidade é injusta ou que há chance de mudá-la, eles possam entrar em um ciclo de discussões que pode durar semanas. “É complicado porque, se há algo que pode ser corrigido, é compreensível que se busque isso. Mas isso também pode criar um precedente complicado, onde ninguém cumpre suas penalidades e fica discutindo indefinidamente, algo que ninguém quer ver”, concluiu Piastri.