Pontos de baixa resistência em Baku destacam equipe temida na F1

A Mercedes desembarca em Baku nesta semana após mostrar um desempenho dominante em circuitos que exigem as qualidades que a pista do Grande Prêmio do Azerbaijão demanda. E, com isso, Kimi Antonelli e George Russell se destacam como os pilotos a serem acompanhados neste final de semana. Antonelli venceu em Monza e também na Espanha, dois traçados bem diferentes, mas que têm uma coisa em comum: a necessidade de um carro que mantenha baixa resistência ao ar sem perder a estabilidade traseira.

Em Baku, a reta de 2,2 quilômetros é a mais longa do calendário, o que significa que os pilotos vão acelerar ao máximo. Com as novas regras para os motores de 2026, que equilibram a contribuição do motor a combustão e do sistema elétrico de 350 kW, essa reta se torna um verdadeiro diferencial. A configuração da pista exige um equilíbrio entre a eficiência aerodinâmica em linha reta e a força de downforce necessária para as curvas de 90 graus e a famosa seção do castelo, que é bem apertada. A Mercedes parece ter acertado essa combinação, já que um carro que gera downforce eficiente na parte inferior pode reduzir o ângulo da asa traseira, ganhando velocidade sem comprometer a tração nas curvas lentas.

Por outro lado, a Red Bull também tem mostrado um desempenho crescente. Max Verstappen, que enfrentou dificuldades antes do recesso de verão, subiu ao pódio em quatro das últimas cinco corridas – exceto em sua corrida em casa, em Zandvoort, onde teve um acidente logo na primeira volta. A trajetória recente do piloto indica que a Red Bull pode ter encontrado o que precisa para se destacar em Baku, especialmente com as condições de qualificação na sexta-feira e a corrida no sábado.

### O Desafio da McLaren com Piastri

A situação da McLaren, no entanto, é um pouco mais complicada. Lando Norris tem se destacado, vencendo em Hungaroring e na Holanda, além de ter sido terceiro na última corrida em Madrid, onde poderia ter vencido se não fosse por uma intervenção inoportuna do carro de segurança virtual. Mas em Monza, onde o downforce é crucial, a McLaren ficou atrás de Mercedes e Ferrari.

Para a corrida em Baku, a equipe decidiu concentrar mais recursos de engenharia no lado de Oscar Piastri, buscando melhorar a sintonia entre o carro e o piloto. O chefe da equipe, Andrea Stella, enfatizou que a mudança é uma questão técnica, sem qualquer relação com aspectos psicológicos. “Precisamos executar melhor e alinhar mais o Oscar com o MCL40”, disse ele. Agora, se essa recalibração chegar a tempo para uma pista tão exigente quanto Baku, só o tempo dirá. A seção do castelo, que é estreita e cercada por paredes, exige que o piloto esteja completamente em sintonia com a frente do carro.

### A Complexidade da Gestão de Energia em Baku

Além da eficiência pura, Baku apresenta zonas de desaceleração desafiadoras nas curvas 1 e 3, onde os carros chegam a mais de 310 km/h. Isso coloca uma pressão intensa na gestão térmica dos freios. As equipes costumam usar dutos de freio específicos para evitar que os discos superaqueçam, e qualquer carro que tenha um pacote de resfriamento marginal pode sofrer com isso nas voltas finais.

A gestão da energia também traz uma camada extra de complexidade, especialmente com as regras deste ano. As equipes precisam encontrar uma maneira inteligente de usar a potência elétrica na longa reta, sem perder eficiência antes da frenagem na curva 1. Isso acaba favorecendo os carros que têm um sistema de recuperação mais inteligente, em vez de apenas aqueles com mais potência bruta.

A Mercedes, por sua vez, já fez algumas jogadas estratégicas em relação a Baku. A equipe decidiu adiar uma penalização de motor para Russell, em vez de aplicá-la neste final de semana, alinhando a mudança com a nova especificação do motor que chegará durante a tripla sequência nas Américas. Russell não ficou muito satisfeito com essa decisão e comentou que não fazia sentido para ele.

Enquanto isso, a Ferrari, mesmo após atualizar seu motor em Monza, ainda parece estar atrás da Mercedes. A velocidade em linha reta continua sendo uma preocupação, e, considerando a longa reta em Baku, é provável que enfrente dificuldades novamente. No geral, a Mercedes se mostra como a equipe mais preparada para os desafios que Baku apresenta, embora a Red Bull tenha se tornando uma ameaça credível com seu desempenho recente.

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Diego Martins