Segredos do novo carro da Ferrari para superar a Mercedes

A Ferrari está prestes a usar sua terceira unidade de potência na temporada, que vem com um upgrade ADUO, tudo isso para tentar alcançar a Red Bull, considerada a referência atual na Fórmula 1. A escolha de levar essa nova unidade para a Áustria é estratégica, principalmente por causa do circuito de Spielberg e da sequência de quatro corridas em cinco semanas. Na última corrida na Espanha, a equipe ganhou um impulso quando Lewis Hamilton subiu ao pódio, em parte graças às inovações aerodinâmicas que foram apresentadas.

A Ferrari está numa corrida contra o tempo para recuperar o atraso acumulado nas primeiras etapas do campeonato e se inserir na disputa pelo título. Até agora, a equipe sentiu falta de um bom desempenho de sua unidade de potência. Um ponto interessante sobre o motor da Ferrari é o uso de cabeçotes de cilindro de aço. Essa escolha gerou discussões entre especialistas, já que o aço é consideravelmente mais pesado do que as ligas de alumínio usadas por seus concorrentes.

Mas por que a Ferrari optou pelo aço? A resposta está na resistência do material a temperaturas muito altas e na sua menor dilatação em comparação ao alumínio. Isso é crucial para o projeto do motor, que é pensado para funcionar em temperaturas elevadas, onde o ar de admissão pode ultrapassar os 100 graus. Embora essa escolha possa teoricamente reduzir a densidade do ar e, portanto, a quantidade de oxigênio disponível para a combustão, na prática, ela melhora a queima da mistura. Com o ar mais quente na câmara de combustão, a atomização do combustível é otimizada, o que aumenta a frente de chama e, consequentemente, a potência gerada.

Na prática, mesmo com a taxa de fluxo de combustível controlada pelas regulamentações, essa abordagem permite que a Ferrari obtenha um melhor equilíbrio de energia. Isso significa que, com o mesmo volume de combustível, consegue-se gerar mais potência. Com a nova evolução da unidade de potência que será introduzida na Áustria, a temperatura de admissão deve aumentar para algo entre 114°C e 116°C, e a equipe também adotou uma nova especificação de combustível. A Shell, parceira da Ferrari, desenvolveu um combustível com uma cadeia molecular diferente, projetada para melhorar a combustão em função da mudança na temperatura do ar de admissão.

Relatos indicam que essa nova fórmula pode aumentar a eficiência térmica em cerca de 2 a 3%. Isso traz duas vantagens: com a mesma quantidade de combustível, o carro pode gerar mais potência, ou, em circuitos onde a potência não é tão crítica, é possível levar menos combustível, reduzindo o peso do carro durante a corrida. Essa é uma estratégia que pode ajudar a Ferrari na fase inicial da corrida, onde até um pequeno avanço pode ser decisivo.

A equipe está confiante de que essa evolução na unidade de potência poderá diminuir a diferença em relação à Mercedes, que venceu seis das sete primeiras corridas da temporada. Há rumores de que os técnicos da Mercedes descobriram a causa das falhas recentes nas baterias da unidade de potência e estão trabalhando em soluções definitivas. Contudo, essas soluções não podem ser implementadas imediatamente, então, por enquanto, a equipe precisará usar rotinas de carga e descarga de energia menos extremas. Isso pode resultar em um desempenho um pouco inferior, abrindo espaço para que outras equipes, como a Ferrari, se aproximem na competição.

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Diego Martins